07/08/2019
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Dois gênios que partiram no mesmo dia
Por Tadeu Alencar

   
 

Incomensurável é a dimensão da saudade. Mesmo assim - paradoxo, talvez, - sentimento que cabe na palma da mão. São várias, múltiplas, nenhuma se assemelha a outra. Têm forma, gosto, aroma, texturas diferentes. É a saudade que escrevinho e retrato. Em um 23 de julho como o deste ano, embora sem as chuvas torrenciais, mas há cinco anos, a Paraíba, Pernambuco, o Nordeste e o Brasil perdíamos a genialidade do escritor, professor, pintor, poeta, compositor, ilumino-gravurista e
dramaturgo, Ariano Suassuna, que era também Presidente de Honra do Partido Socialista Brasileiro.

Cinco anos depois, perdemos outro gênio das artes plásticas, pintor, muralista, ilustrador. Foi embora Reynaldo Fonseca, com a leveza do pássaro que, assim como o gato em Tereza Costa Rego, fora uma marca dos personagens retratados em seus quadros. Uma saudade diferente. Gigantes na formulação estética transformadora, na entrega de viver para a arte e servi-la, preciosa, única, ao seu povo. Representam a concepção da arte em seu estado mais puro, como um regato que corre
virginal entre as montanhas. Referenciam, como poucos e de maneira definitiva, o estado da arte. 

Como potencialidade divina a compensar a finitude dos homens. Ariano, concedeu-me o destino, o privilégio da convivência fraterna, seja como admirador devotado de sua criação – “vi o inocente olhar, puro e perverso, e os dentes de coral, da Desumana” -, seja no ombrear da militância política como Secretário de Cultura no Governo Eduardo Campos. Companheiro de lutas de Miguel Arraes, fez parte do Movimento de Cultura Popular junto com Abelardo da Hora, Francisco Brennand, Hermilo, José Cláudio e tantos outros. Suas aulas espetáculo encantaram o Brasil e o povo viu e bebeu de uma fonte pura, cristalina, que despejou luz e saber, do sertão ao cais.

Poeta, visionário. Nosso gênio armorial. Reynaldo Fonseca era daqueles seres raros que a humanidade de vez em quando gera para se renovar. Teve mestres como Portinari e Lula Cardoso Ayres e com os seus óleos sobre tela, aquarelas e outras com pincel seco deixa um extenso legado de luz e cores que marcam a retina e a emoção de uma legião de admiradores. Era um Mestre, na acepção da palavra. Com Cícero Dias e Vicente do Rêgo Monteiro forma uma tríade que o universo  convocou para brilhar, astros luminosos que são. Ariano Suassuna e Reynaldo Fonseca são únicos. Talvez não seja por acaso que os deuses lhe tenham destinado o mesmo dia, fatídico dia, para empreenderem a grande viagem. Felizmente temos os seus legados. E eles nos salvam. 

 
 
 
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