15/05/2019
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Júlio Delgado cita denúncias feitas pelas vítimas do rompimento e prevê crime da Vale

Sérgio Francês/Lid.PSB   
Júlio Delgado ficou estarrecido com cortes e medidas do Governo
 

Em audiência que durou mais de sete horas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Brumadinho ouviu, nesta terça-feira (15), depoimentos de técnicos ligados diretamente à atividade de mineração no município. O presidente do colegiado, deputado Júlio Delgado (PSB-MG) se mostrou estarrecido com medidas anunciadas pelo Governo Federal após a tragédia, e alertou para diversas denúncias de moradores sobre o corte de medicamentos e fornecimento de água potável. “Uma postura inadmissível”, definiu o socialista.

Durante a reunião, o presidente e os membros da CPI criticaram o anúncio de que a população carente não receberia mais os subsídios do Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (‎BPC). “E isso tudo porque a empresa Vale irá pagar um salário mínimo às vítimas. Esse corte não faz sentido algum, já que se tratam de benefícios sociais. Solicitei que a CPI oficie o Governo Federal para explicar isso melhor”, completou Delgado.

Outra denúncia grave, na ótica do parlamentar, são os relatos de que estão faltando medicamentos para saúde mental. “Soubemos que 85% dos afetados utilizam ansiolíticos; 90% tomam calmantes e já houve sete tentativas de homicídio, comportamentos psicológicos originados pelo transtorno chamado de ‘síndrome do caixão vazio’”, lamentou.

Ainda na opinião do presidente da CPI, é cada vez mais evidente que a Vale do Brasil sabia dos riscos e deixou o desastre acontecer. “Eles (Vale) não parecem estar acostumados à humanização. Alguém vai ser responsabilizado porque o crime não ocorreu do nada. Se foram cuidadosos antes para evitar o desastre – como defende a companhia, não têm sido agora, no pós-desastre.”

Tragédia anunciada – O deputado Júlio Delgado também fez outra grave denúncia durante a audiência. “Temos notícia, ainda a ser confirmada, de que o número de funcionários trabalhando no Complexo do Córrego do Feijão, na data da tragédia, era inferior à média normal. O motivo: medo de irem trabalhar por razões que estamos apurando. Os indícios de crime só aumentam”, afirmou.

O engenheiro de recursos hídricos da Vale, Felipe Figueiredo Rocha, participou da audiência e disse que secretariava algumas reuniões técnicas. Ele garantiu que havia repassado a gerentes e diretores da empresa todas as informações que recebeu a respeito do “nível de atenção” em que se encontrava a barragem. Rocha chegou a ser preso preventivamente após a tragédia, sob a suspeita de pressionar a empresa de auditoria Tüv Süd em prol de um laudo de estabilidade da barragem. Felipe Rocha negou todas as acusações.

Auditoria – A  CPI também ouviu o gestor administrativo e financeiro da empresa alemã Tüv Süd, Marcelo Pacheco. Como eletricista, ele afirmou não ter participado das decisões técnicas que atestaram a estabilidade da barragem do Córrego do Feijão. Segundo ele, não há outras experiências da empresa com mineração fora do Brasil.

A empresa suspendeu os contratos que tinha com a Vale, desde 2013, e abriu uma investigação interna, na Alemanha, a respeito do rompimento da barragem de Brumadinho. Os deputados estranharam a falta de conhecimento de Marcelo Pacheco quanto ao contrato com a Vale e lembraram que o engenheiro Makoto Namba, que assinou o laudo de estabilidade, se manteve calado diante da CPI que investiga o caso na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

"Esse comportamento da Tüv Süd não é aceitável. A empresa realizou auditoria externa para a Vale e emitiu laudo atestando a estabilidade da barragem. Documento que certificava as condições de continuidade da operação e que garantiria a segurança de milhares de pessoas. Não é possível que não sabiam, de fato, das condições prévias ao crime. Pelo povo de Minas e brasileiro, buscaremos os responsáveis pelas decisões na empresa, inclusive no exterior", finalizou Delgado.

 

Rhafael Padilha com Agência Câmara
 
     
 
     
 
       
 
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