11/12/2019
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Convocado pela Comissão de Educação, ministro Abraham fala sobre drogas em universidades

Chico Ferreira    
 

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi convocado pela Comissão de Educação, por 22 votos a oito, para prestar esclarecimentos sobre suas acusações de que há em Universidades Federais plantações de maconha e produção de drogas sintéticas. Além disso, prestar esclarecimentos sobre suas críticas feitas a professores dessas universidades. O socialista Rafael Motta (RN) foi um dos autores do requerimento de convocação.

“Em suas declarações você descortina a sua própria ignorância. Ao invés de estarmos discutindo um plano de ação em relação ao que pode ser feito através do ministério para chegar realmente a uma educação que atinja as nossas crianças e adolescentes, você apenas culpa gestões anteriores. Na minha opinião, é uma forma de não valorizar a educação”, disse Motta ao exemplificar um dos trabalhos feitos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) de produzir drogas que tratam a esclerose múltipla e esquizofrenia. “Qual o legado que o senhor Ministro pretende ter? Quer ser reconhecido como ministro que realmente promoveu educação em nosso País ou aquele com a retórica agressiva e um ministério que tem sido uma usina e fábrica de memes?”, concluiu.

Na comissão, o ministro reproduziu uma reportagem da TV Record que apresentou uma plantação de maconha encontrada pela polícia no campus da Universidade de Brasília (UnB). Na ocasião, os policiais recolheram mudas, ainda em vasos, que eram manipuladas por três alunos da universidade. “O problema não é a plantação em si, mas o que ela reflete. O que quero para meus filhos é um ambiente seguro, onde possam se desenvolver. Irem para faculdade e não terem contato com esse tipo de ambiente. Eu não quero para os meus e nem para os dos outros”, falou Abraham. No entanto, a investigação do episódio constatou que a plantação não estava em área da universidade, e os jovens não foram condenados por tráfico de drogas.

“A questão das drogas é uma questão nacional que todos nós temos preocupação e todos nós combatemos, pois é o pior fator da violência em nosso País. O problema é o senhor usar essa questão para mais uma vez atacar as universidades, dando uma demonstração clara de que quer destruir as universidades públicas no Brasil”, disse Bira do Pindaré (PSB-MA). Para ele, esta não é uma postura de ministro da Educação que deveria apresentar planos e projetos e uma gestão competente e compromissada com os brasileiros. “Está usando tudo isso como uma cortina de fumaça”, ressaltou.

Weintraub também disse que o Brasil está vivendo a maior revolução na área de ensino e que “o símbolo máximo é que sai o “kit gay”, e entra livros para as crianças lerem com os pais”. Em 2011, o Ministério da Educação desenvolveu um material de combate à homofobia que tinha como público-alvo adolescentes e professores e havia sido aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Conselho Federal de Psicologia. Foram 28 exemplares da obra, um bestseller internacional, adquiridos para bibliotecas públicas, mas que nunca foi distribuído em escolas e não trazia representações de crianças mantendo relações sexuais.

“Recomendo ao ministro ler um dos livros de Darcy Ribeiro, um dos pais da UnB, que se chama Universidade para que?. Assim como na vida, as universidades não são perfeitas, mas nosso trabalho aqui é de unir esforços para corrigir o que deve ser corrigido e reconhecer o que deve ser reconhecido”, discursou o pernambucano João Campos (PSB-PE) que ainda rebateu a proposta do ministro de criação de escolas cívico-militares. “Só em Pernambuco, por exemplo, são 1200 escolas, sendo 400 de ensino integral. Temos que reaplicar o que dá certo no Brasil, não podemos achar que com 400 escolas cívico militares vamos resolver o problema de 1,8 milhão de déficit de creche e de 10 milhões de analfabetos.”

Sobre as críticas feitas a professores, o Líder da Oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) pediu mais apoio do ministro aos profissionais da educação. “O papel do ministro não é o de polícia. Eu ouvi o senhor honrar aqui os policiais militares, mas não ouvi falar uma palavra em defesa ou elogio aos professores nessas seis horas e meia que estamos aqui.”

O socialista disse que tudo que Abraham Weintraub fez foi atacar as universidades públicas com notícias falsas, porque o inquérito sobre o caso da UnB demonstrou que as plantas não foram encontradas no terreno da Universidade. “Um pai e uma mãe vê seu filho querer entrar para uma universidade pública e escuta do ministro da Educação, na Comissão de Educação, que seu filho terá 50% de chance de se tornar um drogado. Se isso é verdade, evidente que medidas devem ser tomadas, mas o papel do senhor não é vir aqui fazer propaganda disso”, rebateu.

Molon afirmou ainda que essa postura desmoraliza universidades públicas que demoraram décadas para serem construídas. “Sua obrigação é cumprir a Constituição e não plantar os valores que quer nas universidades, pois parece que esses ataques escondem por trás motivo de intervir nelas.”

 

Mariana Fernandes e Andrea Leal
 
     
 
     
 
       
 
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