12/12/2019
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Para socialistas, Brasil “passa vergonha” na 25ª Conferência Mundial do Clima

   
 

“É o pior momento para a gente estar aqui como brasileiros, ter que responder pela posição atrasada, reacionária, destruidora do governo brasileiro”. A frase é uma avaliação do deputado federal Camilo Capiberibe (PSB-AP), vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara e integrante da delegação do parlamento brasileiro na 25ª Conferência Mundial do Clima (COP25) que ocorre em Madrid, na Espanha. Para Camilo, o momento é muito ruim para o Brasil, considerado um negociador importante, de vanguarda e equilibrado desde a primeira edição do evento que reúne países do mundo todo.
 
O presidente da Comissão de Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho (PSB-SP), por sua vez, afirma que o governo brasileiro tem uma posição de muito atraso e disse que a delegação do governo fez reuniões unilaterais, mas não se reuniu com a delegação do parlamento brasileiro na COP para expressar uma posição consistente diante do aquecimento global. Entre os pontos negativos apontados por Agostinho está a perda dos recursos do Fundo Amazônia, oferecidos pela Alemanha e Dinamarca à Colômbia, depois das recusas do governo do Brasil. Em dez anos, desde a sua criação, o Fundo recebeu R$ 3,4 bilhões e investiu R$ 1,1 bilhões em iniciativas para combater o aquecimento global e promover o desenvolvimento sustentável.
 
Regularização Fundiária – Otimista, Camilo confia que o Congresso brasileiro possa barrar possíveis ataques à legislação ambiental ou à ocupação de terras, pretendida pelo governo Bolsonaro com a publicação da Medida Provisória (MP) 910 nesta quarta (12). Segundo os socialistas, a MP facilita a grilagem de terras na Amazônia e é muito nociva pois entra em vigor imediatamente, sem debate no Congresso e com a sociedade.
 
Ambos defendem a necessidade de regularizar o uso da terra na região, mas por projeto de lei, com debate amplo com a sociedade e parlamento, sem ser benevolente com grileiros e criminosos ambientais. “Tem muita gente invadindo terra pública e derrubando madeira para receber o título e colocar gado”, alerta Agostinho.
 
O deputado Camilo, autor do projeto de Lei para combate à grilagem, pediu ao PSB para integrar a comissão especial da MP 910. Ele defende a regularização transparente dos assentamentos rurais, das posses há muitos anos, dos agricultores familiares e das populações tradicionais, daqueles que não tenham cometido crimes na ocupação das terras.
 
Párias – O deputado amapaense ressalva que o resultado das negociações só será conhecido com a publicação do acordo, ao final da COP 25, nesta sexta (13). Ele confia que é preciso haver avanços nas políticas dos países para reduzir o aquecimento global e permitir a sobrevivência das populações. “Se não houver, é um fracasso da nossa civilização”.
 
Agostinho mostrou surpresa com o fato de um delegado indiano ter apontado os brasileiros como os “novos párias”. Na Índia, os párias pertencem à classe social mais baixa; numa compreensão geral, aqueles que estão à margem da sociedade, excluídos do convívio.
 
Neste primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia cresceu 50% segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do próprio governo.
 

Assessoria de imprensa do dep. Camilo Capiberibe
 
     
 
     
 
       
 
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